Estava com esse assunto na cabeça há um tempo e não sabia direito como abordá-lo. Há tantas variáveis e só quero comentar sob uma perspectiva. Provavelmente vai ficar confuso... mas tudo bem.
Por esses dias eu li no blog da Luana esse post
aqui e no blog da Caroline, este
aqui. Os dois me tocaram por estarem relacionados justamente ao tal assunto. E aí passei a pensar mais ainda nisso.
"O que nossos pais fizeram por nós."
E cheguei à conclusão que fizeram o que puderam. Ninguém pode dar o que não tem, é o que dizem. E é bem por aí... ando lendo o livro da Lya Luft - Perdas & Ganhos - e lá, ela também comenta sobre isso. Como criar crianças auto confiantes, determinadas, livres, com uma auto estima saudável?!
Hoje enxergo defeitos e maus hábitos da minha mãe em mim. É culpa dela? Não, não é. Se tenho consciência deles, por que não mudo? Por que minha a minha resposta para tudo é: "porque é difícil"?
Eu sou filha mais nova, temporão (conhece esse termo? quando uma criança nasce beeeem depois dos irmãos), tive praticamente 3 mães. Sim, eu sou mimada. Várias pessoas já disseram isso. E eu acho isso ruim? Não, não acho não. Estranhamente, isso me dá a certeza de que fui amada. E bem amada. A minha infância não foi difícil, tive regalias, tive amor, carinho.
Mas como se ensina alguém a se amar? A confiar em si mesma? Eu sempre preciso de empurrão, de elogio, de incentivo. Isso é cansativo, eu sei. Porque quando tenho que lidar com alguém assim, não tenho paciência. Por isso, tento mudar.
Lembro que desde a pré adolescência, eu fazia listinhas do que mais odiava em mim, no meu diário. Que coisa mais horrível, penso hoje. Que perversidade é essa com si mesma?
Minha irmã já disse que eu deveria cuidar de mim, como cuido dos outros. Meu marido também disse isso uma vez. É verdade, acho que essa é uma das minhas maiores qualidades: fazer o possível pelos outros. Mas por que não consigo agir assim quando se trata de mim mesma? Bate preguiça, começo a adiar e nunca faço nada.
Eu e minhas irmã já conversamos sobre isso. Somos todas mais ou menos assim. E até conseguimos dinstinguir quais foram os erros dos meus pais. Mas sem querer, vemos nossos sobrinhos serem criados nos mesmos moldes. E aí que cai a ficha: não é de propósito. Mas é claro que não é!!! Acho que ninguém chega a pensar que é mas fica aquela sensação de descaso, sei lá. E agora vemos que não é isso. A vontade de acertar é grande mas a vida é tão complexa e confusa. Eles são humanos. Como diz Renato Russo: "são crianças como você".
Fazendo uma restrospectiva você vê que tinha trabalho, tinha conta pra pagar, tinha relacionamento complicado para administrar... tinha um monte de coisa. E eles tinham só 20 anos! Nem com trinta, eu me imagino fazendo aquilo tudo. É claro que tem gente que diz: por isso eu não vou ter filhos. E é a solução? Se você quiser ter filhos, tenha. Mas acho que devemos estar preparados, principalmente, para errar. E eu, definitivamente não estou.
O que eu quero achar é uma forma de recuperar tudo isso. Essa confiança, determinação, auto estima, sabe? Quero parar de culpá-los pelos meus erros. Pelas minhas feridas. Eles fizeram o possível. Me amaram da forma que conseguiram, que podiam. Analisando como foram criados vejo que fizeram por mim mais do que os meus avós fizeram por eles. E acho que o caminho é esse mesmo.
Acho saudável ter essa análise. Mas tá na hora de sair da teoria, né? Prometi uma coisa a mim mesma, de presente de aniversário de 30 anos. Ainda dá tempo, faltam quase 8 meses... já que eu nasci prematura, é o tempo exato de um renascimento. Tá mais do que na hora!